Menos é mais: por uma vida minimalista e menos ordinária

“Menos é mais”(do inglês “less is more”) é uma frase do alemão Ludwig Mies van der Rohe. Rohe, ficou famoso mundialmente pelas suas diversas obras arquitetônicas e também pelo design de objetos, como por exemplo a poltrona “barcelona”, criada em 1929, com suas pernas em formato de X e design minimalista.

Porém, “menos é mais” atualmente representa muito mais que um movimento artístico ou conceitual.

Enxergando além do consumo e da futilidade

Com a ascensão do consumismo, das “black fridays”(com brigas por produtos e tudo mais), dos smartphones, dos SUV’s e da busca generalizada pelos bens materiais, “menos é mais” passou a representar um estilo de vida para aqueles que buscam algo além do consumo e da futilidade.

As denominações para este novo movimento são diversas: simplicidade voluntária, vida minimalista, vida simples, etc.

Viver com menos passou a significar leveza, desapego emocional de objetos e do consumo, liberando energia para aquilo que realmente importa: a busca do conhecimento, da saúde física e mental e uma melhoria nas relações humanas.

Mais diversão, mais vida

Além disso, viver com menos, ao contrário do que possa parecer, significa ter mais dinheiro. A lógica é clara e fácil de entender, já que para ter mais dinheiro você tem duas opções: ganhar mais ou se livrar dos gastos. Desses dois, temos controle somente sobre este último, o corte dos gastos.

Com o dinheiro que sobra, da pra viajar mais, passear mais, sair mais com os amigos, com a família, ir mais ao teatro, cinema, shows, parques, enfim, ter uma vida mais ativa e interessante do que teria na frente do seu “novo” smartphone(que dentro de 6 meses ou menos nem novo será) ou dentro do seu poluente e espaçoso carro gigante.

“Muitas pessoas usam as redes sociais não para ampliar seus horizontes, mas para se trancarem em uma zona de conforto”. Zygmunt Bauman

Com uma vida minimalista, também temos a liberdade de não precisar passar horas e horas em empregos que não nos deixam felizes. Os gastos e as contas nos tornam escravos de nossos salários. Você pode facilmente ganhar menos em um emprego que gosta e viver muito melhor do que vive hoje.

Você não é aquilo que consome

As pessoas estão tentando comprar felicidade, vivendo em uma ilusão de que o mundo pode ser perfeito, bastando consumir aquilo que possa dar essa impressão. Se está triste, consuma. Se está feliz, consuma. Essa é a triste ideia básica do capitalismo.

A proposta minimalista afronta o sistema, as grandes corporações, os anunciantes e a publicidade como um todo, já que retira o rótulo de “consumidor” de uma pessoa e coloca em seu lugar de volta o ser que pensa e faz suas escolhas com base naquilo que realmente importa. Isso pode realmente começar a mudar a sociedade em que vivemos.

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.” – Jiddu Krishnamurti

Selecionamos algumas ideias abaixo para você iniciar uma vida um pouco mais minimalista em prática:

Compre menos. Antes de comprar qualquer coisa, avalie se aquilo será realmente útil para você.
Doe mais. Você se livra do excesso e ainda ajuda os outros.
Compartilhe mais, empreste e pegue emprestado(e devolva, por favor). Você não precisa ter em casa algo que só utiliza uma vez por mês.
• Faça uma coisa de cada vez, ao contrário dos computadores, nosso cérebro não é multitarefas.
• Descadastre-se de e-mails, notificações e tudo mais que possa chamar mais ainda sua atenção para os gadgets.
• E por falar em tecnologia, estabeleça pelo menos um dia da semana sem celular ou e-mail. Você não precisa(e não ganha para isso) checar seus e-mails profissionais quando está em casa descansando ou mesmo de férias.
Faça suas refeições sem checar seu celular, principalmente se estiver com outras pessoas. Concentre-se em comer.
• Insira uma pausa de 20 minutos entre todas as suas tarefas diárias. Aproveite este momento para ficar tranquilo, em silêncio e aprenda a observar o ambiente ao seu redor.
• Possui algum objeto sem utilidade em casa, mas que tem algum apelo emocional? Tire uma foto para guardar de recordação e passe ele pra frente.

Quer saber mais sobre minimalismo?

Aqui no Cultivate teremos a partir de hoje, diversas matérias sobre vida minimalista, consumo consciente, etc.

Além disso, você pode também acessar na internet diversos materiais bem interessantes sobre o tema. São eles:

• “Minimalism” – documentário disponível no catálogo da Netflix que mostra a vida e um pouco das ideias dos fundadores do site “The Minimalists”: os americanos Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus.
“Life Edited” Site que dá dicas e ideias de como viver melhor em espaços menores e mais simples.
“Be more with less” – Blog da “minimalista” Courtney Carver, com diversas informações, dicas e experiências pessoais sobre o tema.
“Becoming Minimalist” – Projeto de Joshua Becker sobre o minimalismo, com centenas de matérias.

Em resumo, ‘menos’ é tudo aquilo que precisamos.

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